quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

“Vamos combinar”, obras de arte são eternas, nunca estarão “out”! Por Christina Martins

     No artigo sobre o movimento popular para preservar o Museu do Egito evitando os saques, onde a população cercou o prédio formando um cinturão humano, chamo a atenção mais uma vez sobre a importância que a humanidade dá à sua história, a cultura... Lá está o povo do Egito arriscando-se em meio às manifestações violentas que temos assistido pelos noticiários. Arriscando-se pelo o quê? Por sua história, pelos objetos que contam a saga da humanidade até os dias de hoje. Arriscam-se por obras de arte que revelam o talento, o amor, a vida que viveram em seus ancestrais. Arriscam-se, pois nestes objetos está toda a história de erros e acertos e nos revelam o caminho que devemos seguir.
   Outro artigo, que postei há alguns dias, mostrava imagens de cariocas, vítimas da última enchente, andando ao meio dos escombros de suas casas a procura de documentos, fotografias, de alguma lembrança de seus entes queridos. O lamento, nas entrevistas, era por estes pequenos objetos que revelam sua história individual, a história da família, seus valores, seus amores...sua cultura.
Neste final de semana, fomos surpreendidos mais uma vez com outra tragédia, o incêndio da Cidade do Samba. Mais uma vez se ouve os lamentos, agora, o das Escolas de Samba Cariocas, não apenas pela perda dos carros alegóricos e fantasias, mas por toda a documentação, fotografias que contavam a história de luta e sucesso destas Escolas.
Volto agora ao tema das obras de Rogerio Martins, sempre fiel aos Detalhes Arquitetônicos Históricos, “Rogerio é pernambucano, mas se inspirou no barroco, nos casarios e sinos de cidades históricas, com tônica para S.Luís-Ma, a cidade-patrimônio cultural . (Mhario Lincoln)”. Rogerio não chama a atenção só pela beleza plástica de suas telas, mas ao mesmo tempo em que nos emociona pelo romance de suas sacadas ensolaradas ou sombrias, por “seus portões e portais que nos incitam adentrá-los...(Mhario Lincoln)”, por seus barcos que “enganam os olhos pela singeleza peculiar do vento ao abanar as largas velas..(.Mhario Lincoln)”, denuncia o descaso da população e das autoridades ligadas à Cultura com sua própria história, deixando e até colaborando com a queda de seus casarões, com a conseqüente névoa que se levanta turvando a nossa história.
      A obra de Rogerio é admirada pela sociedade ludovicense, mas não a vemos em “apartamentos decorados” nos novos prédios de São Luis, pois segundo alguns desavisados, “não combina com seu sofá”.
     Conheço um pouco de arte, de humanidade, de cultura e sou sensível, então posso afirmar, obra de arte é atemporal, é viva, é comunicação e sempre traz requinte, agrega valor, “fala” sobre os donos da casa. Obra de arte faz parte do patrimônio cultural e emocional das famílias que as possuem há décadas. Tenho visto famílias retirando suas obras históricas das paredes pois estão “out”.
    “Vamos combinar”, obras de arte são eternas, nunca 
estarão “out”!


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