O jornalista Mhario Lincoln faz aqui uma rápida análise da impressionante arte espatular de Rogerio Martins, mais que um artista-plástico, um Santo da Alquimia que transforma pedra em ouro. Rogerio é pernambucano mas se inspirou no barroco, nos casarios e sinos de cidades históricas, com tônica para S.Luís-Ma, a cidade-patrimônio cultural da humanidade. Veja o clip feiro também por ML.
Nada mais salutar para um admirador de pinturas feitas com óleo sobre tela, usando a mágica espátula, para aplicação dessa, do que a expressividade da imagem criada. A mim me parece que as sombras – quase em alto relevo - dão maior realidade à vida das cores.
Um estrondoso emaranhado de tons e idéias aplicados com maestria por sobre a tela inerte e pastel se avoluma numa espécie de simbiose pluriquímica ressaltando a criatividade do metal espatular que corta a mistura e dá-lhe forma.
Rogerio Martins consegue manipular a espátula de forma a deixar na superfície da obra fantásticos efeitos de relevo, aproveitando a lâmina de aço flexível, cujas cores e formas se tornam, na maioria das vezes, partes dele mesmo.
Por isso o histórico sucesso de Rogerio Martins não está, apenas, na tela que cria. Mas dentro dele, em suas entranhas, na superfície de seu cérebro, no costado de suas mãos, nas cores que se misturam entre seu sangue venoso e arterial e, especialmente, na observação empírica das formas naturais dos casarios, barcos e sinos criados ao longo da evolução da humanidade.
Em todas as fases pelas quais Rogerio Martins se aprimorou, deveu-se a essa observação empírica; sua virtude primeira. Esse detalhe de grande importância em sua obra – e pouco perceptível aos olhos humanos comuns – o transformou em alquímico.
Seus sinos badalam sem som. Mas é tão perceptível o badalo que engana aos ouvidos. Seus barcos ou parados ou singrando os mares, enganam os olhos pela singeleza peculiar do vento ao abanar as largas velas, ou mesmo as marcas deixadas pela popa cortando a água num movimento acuidoso. Seus portões e portais incitam adentrá-los.
Suas sacadas relembram amores perdidos na poeira do tempo que nunca volta, mesmo na cronometragem da volta. As soleiras nos tentam a ultrapassá-las e ganhar o Mundo, enfim, uma obra incrível que se integra ao sentimento de quem se atenta aos detalhes.
Assim nasce mais uma obra espetacular de Rogerio Martins com quem convivi por muitos anos em São Luís do Maranhão.
Assim eu vejo Rogerio Martins completamente integrado ao algodão da tela, ao aço flexível da espátula e ao colorido poético do óleo-prisma.
Um gênio das tintas, flutuando entre suas verossímeis perspectivas. Um psicanalista em sua trajetória filosofal, onde as camadas da consciência artística, em meio as molduras estéticas, se entrelaçam, injetando cores num coração cheio de raciocínio e talento. Se chamá-lo, apenas, de artista-plástico é muito pouco. Deveriam chamá-lo também de Santo Alquimista pelo milagre de transformar pedra em ouro.
(Veja o clip produzido pela TWEBWEB: http://www.youtube.com/user/mhariolincoln?feature=mhum )
Mhario Lincoln
Curitiba, 07.02.2011.
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